Solidariedade: quase um palavrão

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Gostaria hoje de analisar um pronunciamento feito na visita do papa Francisco à comunidade de Varginha (RJ), durante a Jornada Mundial da Juventude.

Dom Bernardino Marchió Bispo Diocesano

Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano

Foi daquela tribuna, no meio dos pobres de Varginha, que o papa pronunciou o discurso social mais importante de sua passagem pelo Brasil. Palavras simples e diretas, como é de seu estilo, para que todos pudessem entender. Ele falou com os pobres, mas também se dirigiu a quem tem poder e posses, em todos os níveis, locais e mundiais. Sua fala, de fato, retrata uma síntese da doutrina social da Igreja.

Observou o papa Francisco que os pobres são capazes de dar ao mundo uma grande lição de solidariedade, ‘‘palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque incomoda”. Dispensando o texto, ele analisou que o conceito de solidariedade é tido quase como um palavrão, que não faz parte de certa concepção do convívio social nem deve ser pronunciado.

A noção de solidariedade desenvolveu-se, com sempre maior clareza, no ensino social da Igreja do século XX. No egoísmo e individualismo, que permeiam e regulam, com frequência, as relações sociais, cada um, cada grupo ou país é levado a reivindicar e afirmar seus próprios direitos, sem ter em conta a sua contribuição para o bem comum. Na atitude solidária há sempre a preocupação pelo bem comum. A solidariedade é um dos princípios éticos basilares da concepção cristã de organização social, politica e econômica.

Não se trata de vaga compaixão, distante e descomprometida, diante dos males de outras pessoas próximas ou distantes. Pelo contrário. É o empenho firme e perseverante pelo bem de todos e de cada um, uma vez que todos dependem uns dos outros.

A solidariedade é um dever moral, que decorre dos vínculos de natureza existentes entre todos os seres humanos, membros da mesma espécie e de uma grande família. Todos estão vinculados uns aos outros, no bem e no mal. A sorte de uns está ligada à sorte de todos. Estamos todos no mesmo barco.

O dever de solidariedade é o mesmo, tanto para as pessoas como para os povos. Seria alienante a ordem socioeconômica que dificultasse ou não estimulasse a solidariedade social. Se dependemos de todos, não podemos desinteressar-nos dos outros e nenhum povo pode pensar em ‘‘ser feliz sozinho”.

Negar o princípio da solidariedade levaria também a negar uma das principais forças propulsoras da civilização para adotar novamente a lei da selva, onde os mais fortes sobrevivem e os mais fracos são abandonados à própria sorte.

Com palavras simples e mansas, mas firmes, Francisco voltou a afirmar o que já disseram, antes, outros pontífices em documentos do ensino social da Igreja: diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam aos céus, a Igreja está do lado dos pobres e não pode calar sua voz.

Em vez de palavras contundentes sobre as manifestações de rua, acontecidas mesmo durante a sua presença no Rio de Janeiro, ele se dirigiu aos jovens: ‘‘Vocês, que possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, de pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram seu próprio beneficio. Nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança”.

E, verdade, a realidade pode mudar, quando a solidariedade deixar de ser um conceito antissocial. ‘‘Procurem ser os primeiros a praticar o bem e a não se acostumar com o mal”, concluiu o papa.

O céu, a terra ou o inferno?

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O Evangelho nos conta que havia um rico que se vestia de linho e púrpura e linho finíssimo e que todos os dias se banqueteava… E havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta o rico… (Lc 16,19).

Dom Bernardino Marchió Bispo Diocesano

Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano

Quem não conhece essa parábola? Que não viu de perto realidades parecidas? Que não se escandaliza perante o sofrimento de milhões de pessoas, fruto de injustiças e do egoísmo humano? Mas esse é o mundo em que vivemos, onde existe um verdadeiro abismo entre os grupos sociais, passando da extrema e escandalosa miséria, até chegar à abundância, ao esbanjamento e ao desperdício, que tem provocado indignação e clamado por soluções construtivas.

Lázaro, o pobre de outrora e de sempre, assim como o rico Epulão, continua presente e incômodo, quando a parábola é contada por Jesus. Mas o céu, com seu modo de viver baseado na comunhão e na partilha, está bem perto de nós. Antes de pôr o dedo na ferida da desigualdade e da injustiça presentes em nosso tempo, faz bem olhar ao nosso redor e identificar onde se encontram experiências diferentes, nas quais o céu desce à terra. Perto e dentro de nós, existem gestos de comunhão, gente de coração generoso, sensibilidade diferente à fraternidade. Penso em tantas iniciativas tomadas por pessoas e grupos, como as tantas obras sociais da Igreja ou de outras instâncias da sociedade, nas quais se superam as distâncias e a fraternidade se instala. E quantas são as pessoas tocadas pela força da palavra de Deus e hoje mais fraternas e sensíveis às necessidades dos outros, capazes de acolher os outros e proporcionar-lhes caminhos novos de promoção e autonomia.

É desafiadora a missão que Deus nos confiou: é o compromisso pessoal que cada um deve dar! Mas não basta!

Há muitos que podem oferecer outras coisas! Quem tem responsabilidades públicas, à frente de organismos da sociedade, pode aguçar sua sensibilidade e priorizar ações correspondentes aos valores da dignidade humana e proporcionar maior respeito às pessoas, especialmente aos mais necessitados. Há muita cara fechada e muita burocracia a serem superadas nas repartições públicas. Muitas filas podem diminuir se crescer a boa vontade. Há projetos em vista do bem comum a serem implantados, vencendo interesses corporativos que emperram a vida dos cidadãos. Existe um caminho de conversão adequado para as pessoas que detêm cargos eletivos, quem sabe, inscritos até nos discursos bonitos da campanha eleitoral! Há mãos a serem lavadas na água pura da fonte da vida!

Tudo isso será possível se os valores que norteiam o comportamento tiverem referências diferentes. Se o nosso ídolo é o dinheiro, é claro que estaremos enveredando os caminhos do inferno.

Se a nossa luz for o Deus que nos criou para a vida plena, estaremos construindo o paraíso já aqui na terra!

Papa Francisco e a Síria.

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Crimes, Violência, assassinatos de homens e mulheres sempre nos deixam apreensivos e pessimistas a respeito do futuro da humanidade. Será que o homem moderno, com a sua ciência e com as novas tecnologias, não cai ser capaz de construir a paz? Emblemático é o caso da Síria, envolvida em complicada guerra civil que vem se prolongando sem perspectivas de solução.

Dom Bernardino Marchió Bispo Diocesano

Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano

A complexidade de uma guerra civil coloca a difícil questão de discernir como e quando seria conveniente uma intervenção com garantia da neutralidade, e com ascendência moral para levar as partes em conflito a deporem as armas e retomarem as negociações. Em princípio, caberia às Nações Unidas tomar a iniciativa de persuadir as partes a abdicarem das armas e instaurarem um processo de reconciliação nacional.

O organismo previsto nos próprios estatutos das Nações Unidas para essas hipóteses seria o Conselho de Segurança. Mas, de novo, assistimos ao triste espetáculo da incapacidade desse organismo, que foi pensado para ser um primeiro esboço de uma espécie de ‘‘governança global” de que a humanidade há mais tempo necessitaria. Por sua vez, quanto mais complicada a situação do país envolvido em guerra civil, mais difícil se torna uma ação externa com vistas a cessar os combates e providenciar a indispensável ação de mediadores, com a garantia de neutralidade diante das posições contrastantes das forças em combate.

Da recente experiência de diversas guerras ocorridas na complexa situação do Oriente Médio, a lição mais clara parece ser esta: a intervenção militar estrangeira em nada ajuda a solucionar os problemas. Ao contrário, acaba acirrando os ânimos e radicalizando sempre mais as posições. Uma intervenção militar significaria colocar lenha na fogueira. Ainda mais na complicada situação dos países próximos à Síria.

O que não significa que todas as ações externas sejam vedadas. Mas todas elas devem ter o claro propósito de dissuadir as partes a continuarem o confronto militar. Se possível, uma mediação que ajude a superar impasses.

Uma mediação muito importante e imprescindível, para a situação atual da Síria, é continuar o esforço iniciado pelo papa Francisco, procurando envolver a todos no esforço de garantir as condições de paz para a Síria. Para isso, é bom colocar o peso da instituição à qual cada um está integrado. Mas, em casos tão complicados e delicados como este que o povo sírio está vivendo, mais que as instituições, vale o testemunho pessoal de quem goza de autoridade moral, que precisa ser sempre preservada como patrimônio comum da humanidade.

Todos nos damos conta de quanto foi preciosa a iniciativa do papa Francisco de promover um dia de oração e de jejum pela paz na Síria. Essa iniciativa deteve o ímpeto belicista do governo dos Estados Unidos e conseguiu ao menos que a hipótese de uma mesa de negociações se torne possível e seja assumida pelas partes envolvidas, como caminho de diálogo e de superação das desavenças acontecidas.

A solução desse difícil conflito é um desafio que poderá significar a superação das causas que o produziram, e a confirmação do papa Francisco como personalidade de ascendência moral importante, de que a humanidade tanto precisa hoje. Não podemos ficar em paz enquanto povos irmãos se digladiam em guerra. Que Deus atenda nossas preces e ajude o povo sírio a experimentar a nobreza de espírito das atitudes de paz duradoura. Leia mais>>>

A Mãe das Dores e a Palavra de Deus

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Neste fim de semana celebramos a nossa Padroeira, que reúne os seus devotos ao redor do seu Filho, Jesus. É uma festa tradicional que nos chama sempre a renovar a nossa fé e a construir uma Caruaru de homens e mulheres que renovam a sua cidade pelos princípios morais e éticos.

Dom Bernardino Marchió Bispo Diocesano

Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano

Em setembro celebramos também o mês da Bíblia. E Maria se apresenta a todos nós como a criatura mais fiel à Palavra de Deus.

O fato de celebramos, no dia 30 de setembro, o dia do patrono dos estudos bíblicos, São Jerônimo, fez com que pudéssemos aprofundar esse tema durante este mês. Setembro é o mês da Bíblia, sendo que no último domingo comemora-se o Dia Nacional da Bíblia.

A cada ano, a Igreja trabalha um tema. Estamos aprofundando o tema do discipulado e da missionariedade à luz do evangelho lido aos domingos.

E a leitura orante da Bíblia, aos poucos, vai entrando na realidade do nosso povo, que passa a colocar a Palavra de Deus como início da reflexão que vai iluminar a realidade das pessoas. São passos que pouco a pouco os grupos e comunidades começam a dar. Sempre em Sagrada Escritura. Ela nos traz a revelação de Deus para a nossa salvação.

Na sua misericórdia e sabedoria, quis Deus nos revelar – e a si mesmo – na pessoa de Cristo e pela unção do Espírito Santo, para que tivéssemos acesso a Ele e participássemos de sua glória.

Deus se revela ao homem e o convida a partir para uma terra desconhecida que lhe seria mostrada. E nessa caminhada Deus vai se mostrando, vai se revelando aos que creem e, quando é chegado o tempo, a revelação se completa em Cristo, a Palavra de Deus: ‘‘No princípio era a Palavra e a Palavra estava em Deus, e a Palavra era Deus… E esta Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo, 1).

Por Cristo, somos glorificados! E todos nós que recebemos a Palavra, e nela acreditamos, nos tornaremos filhos de Deus.

Esse caminho Deus fez conosco. Respeita o nosso crescimento intelectual e volitivo, seja na nossa capacidade pessoal, seja na evolução cultural do grupamento humano, de tal forma que podemos sentir a caminhada do povo de Deus.

À medida que abrimos a fé, partimos com Ele nos momentos da contemplação, da glória e, também, como as escrituras nos mostram, das traições.

Na bondade de Deus, como um resto, voltamos a ‘‘Sião” sempre aguardando a plena revelação de Deus no seu Filho, que nos salva por sua morte e nos dá o seu espírito para que anunciemos em nós e em toda terra a sua ressurreição e nossa participação no mistério trinitário de Deus.

A Bíblia Sagrada, com toda a tradição da Igreja, em seguimento à Palavra do Cristo, revela ao nosso coração esse plano divino para a humanidade – restaurar tudo em Cristo – e nos envia: ‘‘Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado” (Mc. 16-15).

A Bíblia é o relato da manifestação do amor de Deus que, gradativamente, nos leva por Cristo, em Cristo e com Cristo à intimidade da vida divina e, como consequência, a uma nova vida, fermento de um mundo novo.

Somos o povo que se encontra com a Palavra Viva, o Verbo Eterno, Jesus Cristo! Ele é a nossa vida e o caminho que nos conduz ao Pai. Eis um tempo favorável para aprofundarmos a importância de sermos discípulos missionários à luz do Evangelho de Lucas, procurando em nossos grupos de reflexão deixar a Palavra falar ao nosso coração e nos fazer renovados em Cristo.

Nunca mais a guerra

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Estamos celebrando o dia da Pátria e o nosso pensamento se volta para agradecer a Deus por tantos passos dados pelos brasileiros em direção ao progresso, à democracia, à paz. Ao mesmo tempo não podemos esquecer a nossa responsabilidade na luta contra a violência, a injustiça e a corrupção.

Dom Bernardino Marchió Bispo Diocesano

Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano

Nesse contexto queremos refletir sobre as palavras proferidas pelo papa Francisco contra qualquer forma de guerra.

O papa Francisco dedicou o Angelus de domingo passado (1º) ao tema da paz, recordando os tantos conflitos em diversas partes do mundo, no Oriente Médio e, em especial, na Síria. O pontífice disse estar “profundamente ferido” pelo que está acontecendo na Síria, naquele “martirizado país” e em outros locais de conflito e, por isso, convocou um dia de oração e jejum para 7 de setembro, convidando a todos os cristãos, fiéis de outras religiões e não crentes.

“Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra! A paz é um dom muito precioso, que deve ser promovido e tutelado”, disse o papa. “Com uma angústia crescente, o grito da paz eleva-se de todas as partes da Terra, de todos os povos, do coração de cada um, da única grande família que é a humanidade”, continuou.

O papa declarou ainda que acompanha, com preocupação, tantas situações de conflito. Mas que nestes dias tem o coração profundamente ferido pela situação da Síria. Francisco disse estar angustiado pelo dramático desenvolvimento dos acontecimentos. “Quanta devastação, quanta dor trouxe e traz o uso das armas naquele país martirizado”.

“Com particular firmeza condeno o uso de armas químicas”, declarou veemente o Santo Padre, que conclamou a todos a pensarem em quantas crianças não poderão ver a luz de um futuro. “Existe um juízo de Deus e também um juízo da história sobre nossas ações ao qual não se pode escapar!”.

“Não é nunca o uso da violência que leva à paz”, advertiu. “Guerra chama guerra, violência chama violência! Com todas as minhas forças peço às partes envolvidas no conflito para escutarem a voz de suas consciências, de não fecharem-se nos próprios interesses, mas de olhar o outro como a um irmão e de tomarem, com coragem e decisão, o caminho do encontro e da negociação, superando a cega contraposição”.

O papa, então, apelou à comunidade internacional para que realize todo esforço possível, promova sem demora iniciativas claras pela paz, baseadas no diálogo e na negociação para o bem de toda a população síria. “Que não sejam poupados esforços em garantir assistência humanitária a quem é atingido por este terrível conflito, em particular aos deslocados no país e aos numerosos refugiados nos países vizinhos”.

Então, o papa perguntou: “O que podemos nós fazer pela paz no mundo? A paz é um bem que supera todas as barreiras porque é um bem de toda a humanidade”.

“Repito em alta voz: não é a cultura do confronto, a cultura do conflito que constrói a convivência nos povos e entre os povos, mas esta – a cultura do encontro, a cultura do diálogo, este é o único caminho para a paz. Que o grito da paz se eleve alto, para que chegue ao coração de todos, e que todos deponham as armas e deixem-se guiar por desejo de paz”.

Por fim, o convite a todos os católicos, aos fiéis de outras religiões e aos não crentes para participar de um dia de oração e jejum pela paz na Síria, no Oriente Médio e no mundo inteiro: “Nos reuniremos em oração e em espírito de penitência”. Leia Mais>>>

Ide, sem medo, para servir!

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No domingo passado, Caruaru assistiu a um espetáculo nunca visto na cidade: sete procissões vindo de pontos diferentes, representando a Igreja viva da Diocese, se juntaram no Parque de Eventos e prosseguiram para a Rui Barbosa, onde foi celebrada a Santa Missa.

Dom Bernardino Marchió Bispo Diocesano

Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano

Era o evento “Rios de Água Viva”, para celebrar o Ano da Fé e a Jornada Mundial da Juventude.

Permitam que lembre aqui a oração de envio missionário que rezei no fim da celebração:

‘‘Senhor, chegamos de todas as paróquias e trabalhamos nas mais diferentes pastorais, comunidades e movimentos: aqui viemos porque recebemos o dom do batismo e somos sempre fortalecidos pela vossa palavra e pelos sacramentos! Aqui estamos porque queremos viver com mais intensidade a nossa vocação.

Temos, porém, consciência de que milhares de homens e mulheres que partilham conosco alegrias e esperanças, angústias e sofrimentos da vida cotidiana, ainda não encontraram o ‘Rio de Água viva’, o Cristo vivo que dá um sentido e motivação para todas as ações humanas.

Senhor, reconhecemos que muitas vezes nos acomodamos e tivemos medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais dos que parecem mais distantes ou indiferentes: não acreditamos que ‘a fé é uma chama que se faz tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida, para que todos possa conhecer, amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da vida e da história’.

Perdoa-nos, Senhor, e ajuda-nos a avançar para águas mais profundas!

Ajuda os jovens, com o seu entusiasmo, a sua criatividade e alegria, a descobrir novos caminhos de evangelização que possam contagiar toda a comunidade eclesial!

Renova, Senhor, a alma e o coração dos catequistas e missionários para que ninguém desanime perante os desafios do anúncio da Palavra que gera vida nova num mundo materialista e indiferente.

Ajuda os consagrados (as) a serem testemunhas corajosas do teu amor e da tua misericórdia pela humanidade: em meio às contradições de uma sociedade que promete felicidade e deixa milhares de pessoas abandonadas e feridas nos caminhos da vida, sejam os teus consagrados, Senhor, presença paterna e materna de alegria e de esperança para todos os que sofrem!

Agora é hora de partir! Não tenha medo, meu irmão, minha irmã! A Mãe das Dores sempre estará contigo abrindo caminhos a tua frente! O papa Francisco será teu guia junto com os pastores da Igreja! E você encontrará milhares de pessoas de boa vontade que acreditam na justiça e na solidariedade, que amam os pobres, que buscam ‘novos céus e novas terras’. Junte-se a este imenso ‘Rio de Água Viva’ e leve para todos, não importa a religião e a raça, a paz, o amor e a misericórdia do Cristo Ressuscitado!

Ide, sem medo, para servir!” – Leia mais>>>

‘Rios de Água Viva’

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A Diocese de Caruaru promove, neste domingo (25), um evento denominado “Rios de Água Viva”, uma clara referência à cidade do Rio de Janeiro, onde aconteceu a Jornada Mundial da Juventude.

Dom Bernardino Marchió Bispo Diocesano

Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano

Há também uma ligação importante com a Bíblia. São João escreve no capítulo 7 do seu Evangelho: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba quem crê em mim”. Diz ainda a escritura: “Do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7,37). A humanidade tem sede de esperança porque no profundo do seu coração tem sede de Deus. E tem também sede de verdade, de justiça, de liberdade.

Nessa festa que a Diocese promove, nos deixaremos guiar pela Palavra de Deus, que nos mostra o caminho da vida e da felicidade, e pelos ensinamentos do papa Francisco. Na verdade, ele vem se tornando um referencial para a humanidade. E o será sempre mais para a Diocese de Caruaru.

Milhões de jovens e outros (não tão jovens assim) receberam no dia da Jornada Mundial da Juventude uma catarata de mensagens papais em várias dimensões para grupos específicos. Aqui se compilam algumas das suas reflexões questionadoras em busca de uma sociedade mais justa e democrática. O mundo dos políticos, dos que detêm o poder, dos que temem as multidões quando se agitam, devem ter ficado incomodados.

Aos políticos que maculam a atividade política com suas máquinas de comprar votos, o papa lembrou ‘‘a tarefa de reabilitar a política, que é uma das formas mais altas de caridade”, destacando que ‘‘os jovens possuem sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias de corrupção”. Aos que subordinam a função pública ao jogo bruto dos interesses econômicos, desde as eleições, o papa contrapôs ‘‘uma visão humanista da economia e da política, que realize cada vez mais a participação das pessoas, evitando elitismo e erradicando a pobreza, asseguradas a todas dignidade, fraternidade e solidariedade”.

Ao falar à classe dirigente do país, o papa Francisco mostrou a necessidade de olhar para o futuro com o olhar da verdade. ‘‘Todos aqueles que possuem um papel de responsabilidade, em uma Nação, são chamados a enfrentar o futuro ‘com os olhos calmos de quem sabe ver a verdade’, como dizia o pensador brasileiro Alceu Amoroso Lima (…)”. E acrescentou: ‘‘É impossível imaginar um futuro para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que permaneça fechada na pura lógica ou no mero equilíbrio de representação de interesses constituídos”.

Francisco apontou o diálogo como caminho para a democracia e sublinhou o papel das religiões no Estado laico. ‘‘Considero também fundamental neste diálogo a contribuição das grandes tradições religiosas, que desempenham um papel fecundo de fermento da vida social e de animação da democracia. Favorável à pacífica convivência entre religiões diversas é a laicidade do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional, respeita e valoriza a presença da dimensão religiosa na sociedade, favorecendo as suas expressões mais concretas”.

Finalmente, ressaltou a necessidade dos dirigentes favorecerem a cultura do encontro. ‘‘A única maneira para uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer, a única maneira para fazer avançar a vida dos povos é a cultura do encontro; uma cultura segundo a qual todos têm algo de bom para dar, e todos podem receber em troca algo de bom. O outro tem sempre algo para nos dar, desde que saibamos nos aproximar dele com uma atitude aberta e disponível, sem preconceitos. Esta atitude aberta, disponível e sem preconceitos, eu a definiria como ‘humildade social’ que é o que favorece o diálogo…”

As palavras do papa e, sobretudo, as suas atitudes serão um “rio de água viva” para a nossa Igreja Católica. Leia mais>>>